quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Lenda de Serpa



Era uma Vez... uma jovem e linda Princesa, muito linda, chamada Serpínia, que vivia nas terras do outro lado da Ibéria, lá para os altos Pirineus. Seu pai, Cófilas, rei dos túrdulos, tribo da Ibéria, era um homem bom.
Num País vizinho, vivia um outro rei, de raça, celta, que era cruel e muito ambicioso, Rolarte de seu nome, que quando viu a formosa princesa quis casar com ela. Mas a princesa não se agradou dele.
Um dia um Príncipe, Orosiano, visitou o Rei Cófilas e a sua filha Serpínia. Os dois príncipes gostaram um do outro e combinaram casar.
Mas o rei Rolarte, quando soube, não gostou que Serpínia fosse dada em casamento a Orosiano e jurou vingar-se tratando logo de reunir os seus soldados e de fazer guerra a Orosiano. O Noivo de serpínia morreu e Rolarte ficou ferido.
O Rei dos Celtas não ficou satisfeito com a morte de Orasiano a jurou fazer guerra ao pai de Serpínia, mas este, informado do que Rolarte preparava, abalou para as longínquas paragens da outra banda da Península Ibérica.
E andaram, andaram até chegarem a um sítio onde a Princesa se sentiu encantada com as formosas Terras que seus belos olhos avistavam.
Campos recorbertos de luxuriantes verduras, flores campestres a perfurmarem os ares que respirava, tudo prenunciando abundância de água, de terras férteis, ubérrimas.
Serpínia logo deu parte a seu pai de que gostava destes sítios. Cófilas examinou a região. Tudo aparentava terras fartas e amenidade de clima. Perto corria o Ana. ( O que é hoje o rio Guadiana).
Por toda a parte se viam Oliveiras, muitas Oliveiras, a garantir alimento, untura, tempero e luz na candeia.
E logo ali acamparam e escolheram local para construir uma cidade que ficou a ser a capital de novo reino. E em homenagem a Serpínia, a formosa filha do Rei Cófilas, à nova cidade se ficou chamando Serpe.
Esta seria a capital da Turdetânia, o novo reino criado na região do Ana, hoje chamado Guadiana, e que se estendia até ao mar.
Tempos depois chegou a Serpe a notícia da vinda até um Porto do Ana, aonde chegavam as águas salgadas do mar, de barcos Fenícios – povo de navegadores que vivia no Norte de África.
Cófilas, Rei dos Túrdulos, fez aliança com os chefes Fenícios e, naquele porto, construiram uma cadeia a que deram o nome de Mirtilis, em honra da Deusa Mirto, sua mãe que o teve de Mercúrio.
Em um dos barcos vinha um Príncipe, jovem guerreiro e bem parecido, que ao ver Serpínia se apaixonou por ela. E Serpínia amou Polípio, o belo Príncipe Fenício. E logo ficaram noivos.
Polípio regressou à Fenícia. E Serpínia, enquanto esperava o seu noivo, dedicava-se à caça pelo que seu pai lhe construiu, à beira do Rio Limosine, que ia desaguar no Ana, um castelo onde ela ficava quando ia caçar.
Ali havia muitos loendros e Serpínia deu à sua nova casa o nome de Castelo de Loendros.
Serpínia já tinha esquecido Rolarte, mas Rolarte não esquecera Serpínia, nem a vingança de que lhe jurara.
E uma noite, noite escura como breu, o Castelo dos Loendros foi atacado por Rolarte e os seus soldados. Mas o Rei dos Celtas foi vencido pelos soldados de Cófilas que guardavam o castelo de Serpínia.
Com medo de novos ataques a princesa mandou aviso ao pai, que estava em Mirtilis, que hoje se chama Mértola, o qual regressou com muitos soldados, e que esporeando os seus corcéis corriam a toda a brida na companhia de Polípio, o príncipe noivo, que já tinha regressado da Fenícia para as bodas com Serpínia.
Rolarte voltou a assaltar o castelo mas este, que tinha agora muita tropa, venceu os soldados de Rolarte e o Rei dos Celtas fugiu e foi morrer afogado no Ana. Serpínia casou com Polípio e os noivos foram para a Fenícia.
Serpe, que recorda a linda princesa Serpínia e que sempre manteve o seu nome, é hoje Serpa.

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